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segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Sangue na Arena

“São proibidas todas as violências injustificadas contra animais, considerando-se como tais os actos consistente, sem necessidade, se infligir a morte, o sofrimento cruel e prolongado ou graves lesões a um animal” (ponto 1 do artigo 1.º da Lei n.º 92/95 de 12 de Setembro, da “Liga Portuguesa dos Direitos do Animal”).
Isto poderia ser suficiente para considerar completamente ilegal, imoral e vergonhoso o facto de, em Portugal, ainda se praticar este acto atroz, por outros considerado tradição, uma vez que a prática da tourada:
- é um acto injustificado e desnecessário; pois serve apenas os interesses e prazeres humanos, contra os interesses dos animais;
- inflige a morte; tendo em conta que são autorizados os espectáculos com touros de morte, embora excepcionalmente, em localidades em que esta prática é considerada tradição há pelo menos 50 anos desde a entrada em vigor desta lei, nos dias em que se realiza esse evento;
- inflige o sofrimento cruel e prolongado; tanto pelas práticas que vemos dentro da arena como por todas as crueldades que se passam atrás dos nossos olhos, e que serão mencionadas mais à frente.
- inflige graves lesões aos animais; se considerarmos o facto de as bandarilhas terem entre 8 e 30 cm em metal grosso, com arpões na ponta, para que rasguem os músculos e os ligamentos do touro. A isto juntam-se as lesões físicas e psicológicas de que ninguém fala.
Posto isto, como é possível que, no mesmo diploma, a “Liga Portuguesa dos Direitos do Animal”, exista outro ponto, completamente contraditório, que afirma que “É lícita a realização de touradas, sem prejuízo da indispensabilidade de prévia autorização do espectáculo nos termos gerais e nos estabelecidos nos regulamentos próprios”?
Vivemos numa sociedade livre, em que cada um pode praticar as actividades que pretender, que lhe dêem prazer e que sirvam os seus interesses – mas a nossa liberdade não se pode sobrepor às vontades dos outros e não pode, muito menos, fazê-los sofrer. Há quem diga que o touro não sente sofrimento durante a tourada e que os golpes que os ferros causam no seu corpo lhe provocam apenas adrenalina. Mas o touro é um animal como qualquer outro e por isso sente dor e medo também como qualquer outro. Espetar uma bandarilha do tamanho das que se usam, geralmente, nestas torturas, que rasgam os ligamentos do touro, para além dos cortes que o animal sofre no final da tourada para se retirar os ferros, não é em parte nenhuma um acto leve e pacífico.
Contudo, segundo os toureiros existe um grande amor pelo touro, um amor que as pessoas que não vivem as festas de touros não conseguem imaginar. Eu concordo. Existe amor pelo dinheiro que cada festa permite aos toureiros arrecadar e existe amor pelo sentimento de heroicidade que estas lhes permitem sentir. Mas há que esclarecer que uma pessoa que se diverte e emociona com o sofrimento de outros, sejam animais racionais ou não, nunca poderá vir a ser considerada um herói. Talvez um covarde, que se sente superior ao atacar os que não têm como se defender.
Porém, avaliando a questão por outro lado, podemos até considerar que existe amor para com este animal. É também por isso que escolheram esta ocupação e não outra qualquer. Mas se formos ao dicionário os sinónimos que encontramos para a palavra “gostar” são: achar bom gosto a; ter prazer em ver ou em sentir; ter afeição. E podíamos continuar a citar a lista que não encontraríamos as palavras: “respeitar” e “cuidar”. Os toureiros e mesmo as pessoas que assistem a estes espectáculos e que são a favor deles gostam do touro, visto que é ele que lhes dá trabalho, dinheiro, visibilidade, sentimentos de grandeza. É com eles que passam uma grande parte do seu tempo. Mas, em altura nenhuma, os respeitam ou cuidam deles. Os touros são apenas um instrumento, um meio para atingir diversos fins. E não é muito difícil perceber isto: um pedófilo é uma pessoa que gosta (e apenas gosta) de crianças. Mas de forma alguma as respeita quando abusa delas sexualmente, lhes tira a inocência. E a violência é a mesma. Qual é a diferença entre a crueldade de um pedófilo ou de um toureiro? Ambos fazem mal àqueles de quem gostam.  
Se mesmo assim se continuar a pensar que os processos pelos quais estes animais passam não são suficientes para acabar com algo que existe há milhares de anos, eu tenho todo o gosto em continuar. Os touros vivem durante quatro anos em liberdade a alimentar-se de pastagens naturais. Esta frase corresponde a duas coisas: uma ilusão e um problema que ultrapassa a tauromaquia.
Uma ilusão porque todos os animais merecem respeito durante toda a vida e, ainda mais do que isso, todos os animais têm direito à vida. E isto não é o que acontece com os touros. Podem até viver em liberdade, mas depois da tortura a que são submetidos são automaticamente enviados para os curros onde ficam em condições vergonhosas. Alguns deles, em algumas zonas, são mandados para os matadouros. Onde está o respeito? Os animais vivem porque nasceram segundo a ordem natural da vida. Há pessoas que dizem que os touros nasceram somente para ser toureados. Nenhum animal nasce (ou devia nascer) com outro propósito que não seja viver. Mas então onde está o direito à vida?
Mas não tem importância, porque vivem anos a passear em liberdade.
E um problema visto que esses hectares ocupados não só para alimentar e passear os touros mas também para os treinar e preparar para a vida lúgubre que terão mais tarde poderiam ser ocupados em plantação, fazendo de Portugal um país mais desenvolvido em termos agrícolas.
O acto de tourear é ainda defendido por vários argumentos que até podiam ser válidos, se não fosse esta uma actividade tão violenta e cruel. Diz-se que as touradas estão rodeadas de uma grande arte e que despertam uma grande emoção em quem as vive. Parece-me que maltratar animais não tem nada que ver com arte. Arte é algo que nos transparece sentimentos bons, nunca uma coisa que nos choca pela sua tamanha barbaridade. Arte é algo que fazemos por gosto, que nos dá prazer, mas que não perturba ou fere os outros. Arte é algo que cada um faz à sua maneira, sempre de forma diferente – mas onde está a diferença entre a forma de A espetar uma bandarilha nas costas do animal que, enervado, pactua com aquele jogo, e a forma como B atira o ferro, que irá cair um pouco mais abaixo ou um pouco mais acima, mas sempre nas costelas já magoadas do touro? A beleza, apesar de ser subjectiva, é uma sensação boa. Uma pessoa com o mínimo de valores morais não considera a dor uma sensação boa. Logo, como é que o mesmo acto pode ser doloroso e belo?   
As touradas são más, causam dor, sofrimento, contam com uma tamanha violência e tudo isso. Já sabemos. Mas não devem ser proibidas porque as pessoas também matam animais para comer, mantendo-os em situações selvagens. Estes animais nascem com o único propósito de nos alimentar a nós, humanos, e são criados o mais rapidamente possível, com alimentos que os engordem o mais possível. Então, se fazemos isto aos animais, não há nenhuma razão para não os violentarmos nas arenas. Então porque é que os restantes maus-tratos a animais são proibidos? Se podemos fazer todas estas atrocidades, legalmente, então devíamos todos poder pontapear os cães que encontramos nas ruas ou agarrar em pressões de ar e matar, da forma mais violenta possível, todos os animais do mundo. Mas não o fazemos porque um mal nunca pode justificar outro. As touradas existem. Podemos tornar os maus-tratos generalizados ou podemos tentar acabar com eles definitivamente, a todos os níveis.
Quando falamos em touradas lembramo-nos geralmente do espectáculo que se faz à volta do touro. Contudo estes não são os únicos a sofrer com esta desumanidade. Em Portugal, e não só, ainda se faz o toureio a cavalo: os cavalos têm de enfrentar, certamente em pânico, os ataques do touro, enquanto o cavaleiro, o único que tem responsabilidade na maldade pela qual o touro passa, assiste em cima do cavalo. Este animal enfrenta assim o touro, que lhe vai tentando cravar os seus chifres, pois ao ser atacado vê o homem e o cavalo como um só, querendo apenas defender-se do mal que lhes estão (está, o cavaleiro) a fazer. 
Ao acabarmos com as festas de touros estaríamos a acabar também com uma espécie: o touro bravo. Tendo em conta as batalhas que o Homem tem feito para que espécies como o morcego ou o lince ibérico não desapareçam do planeta, pode não fazer muito sentido estarmos a acabar com mais uma. Mas como já foi dito antes nenhum animal deve existir com outro objectivo que não seja viver – não deve existir apenas para servir e divertir os outros. É preferível que um animal não exista se a sua simples existência lhe provoca sofrimento. Quando tentamos prolongar a continuidade de uma espécie fazemo-lo porque acreditamos que essa espécie tem direito a viver, não porque cremos em que nos venha a ser útil.
Todos estes argumentos para alguns não passam de uma ventania que lhes passa a 200km/h pelos ouvidos, porque tudo o que aqui foi argumentado, para essas pessoas, pode ser rápida e facilmente refutado, com um argumento que tantas vezes usam para se sentirem melhor e conseguirem dormir à noite: as touradas são uma tradição, fazem parte da cultura dos países que a praticam. Dizem que as pessoas defendem as tradições e que agora querem acabar com mais uma. Contudo, uma tradição é algo que enaltece um país, dignifica um povo. Não pode ser algo que só contribui para envergonhar ainda mais o ser humano, que já tem tanto com que se envergonhar. Os bailes das aldeias, o rancho folclórico, o fado, o São. Martinho – são tradições. São celebrações em que as pessoas que gostam devem participar, porque são momentos em que as pessoas se divertem, riem, aplaudem, sem magoar os outros e onde os interesses de uns não se concretizam espezinhando outros. Se virmos as coisas por esse prisma, podemos então considerar o acto de cortar as mãos a quem rouba, que se pratica, ainda hoje, em alguns países, como uma tradição. Para as pessoas que o praticam, também faz todo o sentido, visto que faz parte da sua cultura. Porém, não creio que faça sentido continuar com esta prática.
Por isso, as touradas não são uma tradição, são festas que têm de acabar o mais rapidamente possível, porque não podemos continuar a pactuar com a violência e muito menos a aplaudi-la. 

quinta-feira, 16 de junho de 2011

“Toda a gente tem um sonho”

Como todas as terças-feiras, por volta das 21h estava eu a sair do metro do Terreiro do Paço para mais umas horas com os sem-abrigo no Campo das Cebolas. Em conjunto com os meus colegas de equipa, distribui as refeições pelos sem-abrigo, que se colocavam em fila indiana junto ao carro do Paulo Ferroni, um terapeuta que desempenha o papel de “coordenador” com os restantes voluntários da instituição CASA – Centro de Apoio ao Sem-Abrigo. Mas como a nossa função é muito mais do que dar comida, começámos a conversar com eles, como de costume. A nossa presença ali já é aceite e somos completamente bem recebidos. Assim, foi muito mais fácil conseguir encontrar, não só uma história forte (pois todas elas o são), mas a história.
O Sérgio Malveiro tem 40 anos, 20 dos quais a viver na rua. Quando era criança vivia com os pais e com os quatro irmãos. Não teve uma infância como a da maioria das crianças. O seu pai era alcoólico e era neste vício, assim como em máquinas de jogos, que gastava muito dinheiro. Já a mãe, para além da profissão de contínua numa escola, prostituía-se para ter dinheiro para esbanjar em poucos dias. Ambos sempre foram violentos para com o Sérgio, que sofreu por parte deles “maus-tratos, abandono e discriminação” em relação aos irmãos, que sempre foram tratados, realmente, como filhos. O desespero que sentia foi enchendo como um balão, e este rebentou bastante cedo. Quando tinha apenas 6 anos e devia ser uma criança cheia de alegria e inocência, já via o lado negro da vida, já sentia que não queria viver: tentou o suicídio, engolindo um frasco de comprimidos para dormir. Sobreviveu, mas a angústia persistiu.
A cada dia que passava sentia-se mais sozinho: para os pais era simplesmente objecto de descarga das suas frustrações; em relação aos irmãos sempre se sentiu inferior; e nem sequer teve a possibilidade de criar laços fortes com os colegas da escola, uma vez que só pôde estudar até à 4ª classe. Com 13 anos foi trabalhar para que o pai tivesse mais dinheiro para os vícios. Do seu ordenado iam-lhe parar às mãos apenas 500 escudos, que tinham de dar para toda a semana. Com 14 anos voltou a tentar suicidar-se: bebeu gasolina.  
“Levei pancada durante 18 anos”, afirma cheio de raiva e tristeza na voz. Quando atingiu a maioridade esta fase da sua vida terminou, mas iniciou-se outra que para ele, apesar de tudo, lhe pareceu melhor. Deixou de ser dependente dos pais e deixou para trás tudo o que isso acarretava para conhecer outra forma de solidão: a vida na rua. Viver na rua “é muito complicado de explicar”. “É chuva, é frio, é discriminação, é humilhação”, descreve.
Desde que saiu de casa nunca mais quis saber dos pais. Eles procuraram-no mas, apesar de já ter dormido bem perto da casa deles, durante muito tempo não o encontraram. Seguiu o seu caminho sozinho e teve de sobreviver pelos seus próprios meios. Arrumou carros, trabalhou na construção civil e até vendeu em feiras, mas o dinheiro que conseguia ao final do mês não dava sequer para arranjar um tecto onde dormir. Não tinha forma de sair da rua e começou a sentir um vazio. Quando lhe perguntei o que fazia na rua a sua resposta foi rápida e sucinta: “passeava”. O que mais lhe custava era ouvir os comentários daqueles que passavam por ele e que não compreendiam o que era a sua vida e o que o tornou num sem-abrigo. «Tu vives na rua e dizem-te “parecem cães a dormir na rua” e cospem-te em cima», relembra com mágoa.
O Paulo Ferroni, terapeuta, tem uma grande afeição por estas pessoas, nomeadamente pelo Sérgio, e é por isso que sente tanta satisfação ao fazer o que faz. Fá-lo por saber que estas pessoas “perderam aquilo que tinham, descarrilaram”. Ao oferecer-lhes refeições está sobretudo a conquistar a confiança deles para mais tarde lhes fazer terapia, tentar arranjar-lhes um emprego para que orientem a sua vida. “Oferecer comida é um meio, nunca um fim em si”, complementa.
Já o Sérgio conseguiu nunca descarrilar completamente, sem a ajuda de ninguém, a nível psicológico. Mas precisava de ajuda para conseguir alimentar-se. Diz nunca ter pedido na rua, apenas ia ao refeitório da Santa Casa, nos Anjos, pedir comida. Perguntei-lhe se alguma vez tinha roubado ao que respondeu prontamente “não, nunca roubei”. Porém, repensou: “Quer dizer…”. Afinal tinha acontecido alguma coisa. Contou que uma vez um amigo lhe pediu para ir com ele arranjar a fechadura da porta de uma senhora idosa. No final deu-lhe uma parte do dinheiro. Só mais tarde o Sérgio descobriu que o plano era outro: assaltar a casa da senhora, que estava num lar. “Influenciei-me pela pessoa errada”, justifica, e agora “estou em pena suspensa, durante dois anos”. Tem noção de que o tribunal tomou a decisão acertada pois, perante a lei, “tão ladrão é o que rouba como o que fica à porta”.
A droga e o álcool são comuns entre os grupos de sem-abrigo. Muitos deles estão ali porque perderam tudo o que tinham e sentem necessidade de se refugiar em alguma coisa, para esquecer a vida. Mas o Sérgio nunca se deixou ir por esses caminhos. “Nunca bebi e não sei o que são drogas”, garante. Quando vivia na rua via frequentemente os seus companheiros drogarem-se e, apesar de ter vivido com eles, diz nunca ter sentido nada. Sabe bem qual é o cheiro, mas não o sabor.
O Sérgio tenta dar esperança a todos os que estão na situação em que também ele já esteve. “Se eu consegui, eles também conseguem”, afirma com esperança. Mas no fundo sabe que é bastante difícil pois nem todos tiveram ou irão ter uma oportunidade como a que se cruzou na sua vida. Outros, mesmo que os tentem ajudar, preferem ficar ali, porque para algumas pessoas “a rua é um vício”. “Dão-lhes roupa e comida. Para que querem uma casa? Para que é que vão trabalhar?”, revela Sérgio, que esteve no mesmo barco que eles durante anos. O que lhes ocupa a alma é apenas um enorme vazio e por isso “não querem uma palavra amiga, não querem ouvir ninguém”. 
Como disse o Paulo, estas pessoas “acham que tudo o que lhes acontece de bom ou de mau depende da sorte” e é por isso que sentem que já não vale a pena fazerem nada. “Já não acreditam em si e deixaram de ter esperança em que a sua vida tome outro rumo”. Muitos deles acham que “a sociedade tem de lhes dar tudo”. Porém o Sérgio nunca pensou desta forma. Apesar da revolta que sentia sabia que tinha de lutar por si, pois mais ninguém o iria fazer.
Durante todos aqueles anos o que mais queria era sair da rua, não só porque queria descobrir o prazer de ter a sua própria casa mas também para mostrar às pessoas que o olhavam de lado na rua e que tratam os sem-abrigo “como porcos” que podia vencer e que são seres humanos. E conseguiu mudar de vida. Em Fevereiro do ano passado, uma instituição arranjou uma casa para ele viver, pela qual paga 56 euros mensais. Consegue ter uma vida de certa forma estável por receber o rendimento mínimo. Agora só vai pedir comida às carrinhas das instituições de solidariedade quando precisa mesmo. Hoje tem a sua casa e dinheiro que quase chega para o básico.
Na verdade o Sérgio é um vencedor. Viu Lisboa durante 20 longos anos, conhece a cidade quase como a palma da sua mão. Percorreu-a “mais de mil vezes” com a esperança de encontrar um emprego. Já foi a Espanha procurar trabalho, mas tem a certeza de que não quer ir para outro país e as suas palavras revelam ainda alguma fé em Portugal: “o meu país é este”. Mas apesar disso não consegue deixar de se sentir revoltado com o país que o viu nascer e que não lhe oferece mais oportunidades de uma vida melhor. Sente também rebelião pela forma como os outros olharam para ele, porque no fundo somos todos iguais e qualquer um pode cair neste mundo. Quando lhe perguntei o que é, para si, mais bonito em Lisboa respondeu: “As mulheres, porque de resto… há muita discriminação”. Mas não deixa de recordar os seus passeios pelas noites de Lisboa e “a calma e a harmonia” que se sente nas ruas.
Acredita que é Deus que o ajuda e que foi ele que o tirou da rua porque “ninguém aguenta 20 anos na rua”. É esta fé que lhe permite continuar todos os dias a caminhar, embora lentamente, para uma vida melhor. Sabe que não há muitas pessoas com quem pode contar e, quando já não acredita nas pessoas, sabe que pode sempre acreditar Nele. Foi também Deus que o salvou das dezasseis tentativas de suicídio que tentou ao longo destes quarenta anos, catorze delas durante o seu percurso como sem-abrigo. “Quando chegava o momento havia sempre alguém que me puxava”, recorda, agora com alegria, pois está feliz por viver. Mas nessas alturas sentia “rancor, ódio, tudo o que é de mau”, pois estava decidido que queria pôr um ponto final na sua passagem pela vida, pensava que tinha chegado ao fim da linha. Sabe que também aqui foi Deus que olhou por si.
Todas as terças-feiras quando chego ao Campo das Cebolas lá está o Sérgio, para nos fazer companhia e para passar algum tempo com aqueles que considera como seus amigos. “São vocês. A minha família está na rua. São meus irmãos. Gosto de vocês”, diz enquanto olha à volta e aponta para os voluntários que entregam comida, roupa, palavras e sorrisos. Durante os anos em que esteve na rua conheceu muitas pessoas, mas nunca se envolveu demasiado. É em nós que encontra a palavra amiga que lhe faltou durante quase quarenta anos. E foi disso que sentiu tanta falta. Se tivesse de escolher uma palavra para dizer aquilo que lhe fez mais falta, comida ou amor, sabia expeditamente o que responder: “das duas, da mesma forma”.
O Paulo também acredita que é importante conversarmos com eles, e não limitarmo-nos a dar-lhes refeições. Desta forma consegue obter mais facilmente a confiança deles. Mas nunca se entrega demasiado. “Evito estabelecer ligações fortes, para me defender”, conclui.
A vida do Sérgio melhorou bastante desde que arranjou uma casa onde dormir, onde passar o seu tempo e onde fazer as suas coisas. Porém, esta não se tornou num paraíso. Continua a ter obstáculos para enfrentar, como teve sempre. Ter uma casa não é tudo. Tem amigos com quem pode contar quando tem fome ou quando precisa de conversar ou de ouvir apenas uma simples palavra. Mas nem tudo se resolve assim, e o maior obstáculo que sentiu durante toda a vida persiste: a solidão. Até aos 18 anos viveu com os pais que o maltratavam física e psicologicamente – estava, portanto, sozinho. Tinha de trabalhar para viver e quando chegava a casa não tinha ninguém que o abraçasse e que lhe fizesse sentir que tudo valia a pena. Aos 18 anos, quando saiu de casa e se tornou num sem-abrigo, não conseguiu criar grandes amizades. Foram 20 anos sozinho, a vaguear pelas ruas de Lisboa. Haverá, certamente, poucas formas de solidão tão cruéis como esta. Agora tem uma casa, desde há pouco mais de um ano. Tem-nos a nós, com quem passa algumas das suas noites. Mas “toda a gente tem um sonho”. 
Apesar de já ter passado muito na vida, de já ter visto e vivido coisas que a maior parte das pessoas só consegue imaginar, de já ter tido sensações para lá do que é aceitável e de já ter fruído de demasiados sentimentos ao extremo, há muitas coisas que ainda não descobriu. Não sabe o que é sentir amor nem o que é ter alguém que se preocupa realmente consigo. Uma pessoa da qual uma parte da vida existe para ele. Não sabe o que é chegar a casa e ter alguém à sua espera, que lhe pergunte como lhe correu o dia, depois de lhe dar um beijo ou um abraço.
O que o Sérgio mais deseja é encontrar trabalho. Ter o seu próprio dinheiro, a sua independência completa e absoluta. Só assim pode melhorar a vida e criar condições para receber alguém, que lhe dê a descobrir o outro lado. Com 40 anos nunca teve uma namorada nem mesmo um caso de uma noite. É virgem. Não sabe o que são os namoricos de adolescentes, a paixão assolapada, os erros que se cometem inconscientemente, as desilusões e as tardes de lágrimas a correr insistentemente. E muito menos o verdadeiro amor.
Ao arranjar um emprego conseguia alcançar os seus dois outros sonhos: “ter a minha própria casa e ter uma família”. De facto, ao conseguir a sua autonomia, ter um trabalho onde arrecadasse dinheiro para que todos os meses pudesse dar àqueles que iria certamente amar uma vida como a que ele nunca teve, seria bem mais fácil chegar onde ainda não conseguiu chegar. “Se um dia tiver filhos vão ser tratados como eu nunca fui”, garante com determinação na voz.
Com um percurso de vida marcado pela solidão só lhe resta olhar em frente. Com os seus olhos castanhos a apontar na direcção dos meus, diz-me que “O futuro é daqui para a frente, já com um sorriso nos lábios”.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Começaram hoje a ser analisadas várias amostras de pepinos portugueses para se confirmar que estes não contém a bactéria Escherichia coli (EHEC). Até ao momento não foi detectado nenhum caso em Portugal infectado com esta bactéria.
Já morreram pelo menos 15 pessoas na Alemanha e uma na Suécia. Pensou-se que a origem eram os pepinos vindos de Espanha mas ontem as autoridades de saúde pública alemãs revelaram que não foram as bactérias encontradas em duas amostras realizadas a pepinos espanhóis que provocaram as infecções de centenas de pessoas na Alemanha. Ainda hoje a Alemanha confirmou isso mesmo. Desta forma, não há motivo para tanta preocupação por parte dos consumidores, que preferem não comer pepinos, mesmo que estes sejam de origem portuguesa.
Contudo, por medidas de segurança, estão a ser analisadas no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, no Porto, várias amostras deste alimento.
Falta, portanto, saber qual é a causa para todas as infecções que foram causadas na Alemanha.

Fotografia: online do jornal i

domingo, 22 de maio de 2011

Mais uma vitória

O FC Porto venceu hoje o Vitória de Guimarães por 6-2, vencendo, assim, a Taça de Portugal pela 16ª vez e alcançando o número de troféus do SL Benfica.
Depois de vencer a Supertaça, o Campeonato e a Liga Europa, o FC Porto alcança agora, no final da época, a Taça de Portugal enquanto que o Vitória de Guimarães, em seis finais a que chegou, assistiu agora à quinta derrota. Era um resultado algo previsível, tendo em conta a força com que o clube portista está nesta época e o facto de nas últimas 11 finais portuguesas ter perdido apenas três.
Desta forma, alcançou o número de troféus do Benfica, contando agora com 69 e tornando-se assim no o clube português com mais troféus nacionais e internacionais.
Dos 69 troféus conquistados pelos azuis e brancos 53 foram durante a presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa. Já o Benfica, durante este mesmo período de tempo, alcançou apenas 21. Ontem, no final da 58ª partida, o Porto conquistou a sua 49ª vitória nesta época, contando apenas com quatro derrotas.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

"Liga Portugal"

Ontem o FC Porto e o Sporting de Braga foram a Dublin disputar uma final europeia, a Liga Europa. Num país tão pequeno e com uma crise económica tão grande, é um feito que deve ser valorizado e que nos deve encher de orgulho.
O FC Porto venceu esta competição por 1-0, com um golo de Falcao, acrescentando, assim, mais uma vitória europeia às três outras que já tinha conquistado. O sonho do Sporting Braga não foi concretizado até ao fim, mas penso que deve ser um grande orgulho para os bracarenses conseguir ter o seu clube numa final europeia, depois de ter derrotado grandes equipas portuguesas e estrangeiras.
As duas equipas estão de parabéns, sobretudo por terem representado bem o nosso país e por terem posto um sorriso na cara de alguns portugueses que já têm poucas razões para sorrir.

sábado, 14 de maio de 2011

Mais uma sondagem, mais uma mudança

Segundo a terceira sondagem da Intercampus para o Público e para a TVI, o PS ultrapassou o PSD. Os socialistas somam agora 36,8 por cento, contra os 33,9 dos social-democratas. 
Já desde a primeira sondagem, o PS tem vindo a subir mas consegue agora, na primeira vez que ultrapassa o PSD, criar a maior diferença entre os dois partidos. Esta diferença começou nos 2,2 por cento, baixando para 1,1 e é, agora, de 2,9 por cento, com vantagem para os socialistas.
Quem conseguiu uma subida mais acentuada do que o que se esperava foi o CDS-PP, que passou de 10,9 para 13,4 da segunda sondagem para esta. Se se unir com o PSD, obtém 47,3 por cento dos votos, mantendo-se a necessidade de terem uma maioria parlamentar. Já a junção dos votos do CDS com o PS dá um total de 50,2 pontos percentuais, ganhando uma maioria parlamentar. Se a tendência continuar, José Sócrates irá conquistar novamente o podeer, contra todas as expectativas de Passos Coelho, que parece não ter dúvidas em relação às preferências pelo seu partido.
Os portugueses parecem já ter dúvidas em relação ao sucesso de um governo de coligação, já que desde a primeira sondagem até à terceira a percentagem de portugueses que disse preferir essa opção desceu 3,5 por cento.
Ainda faltam cinco sondagens da Intercampus até ao dia das eleições, mas talvez seja melhor para Passos Coelho que comece a tomar medidas se não quiser ver o seu partido a ficar-se pelo segundo lugar.

Três dias académicos

Não se percebe como é que numa cidade como Lisboa a Semana Académica é, na verdade, três dias. Mas, se é o que temos, há que aproveitar. Na quinta-feira a noite começou com Yolanda Be Cool. Contudo eu e os meus amigos só chegámos por volta das 23h ao Estádio do Restelo, até porque era um grande desafio conseguir apanhar o autocarro e a informação dos trabalhadores do evento pode ser classificada como "fraca". Quando entrámos estava a actuar Marcelo D2, seguindo-se Edward Maya. Foi uma noite engraçada, sim. Mas que certamente não chega aos calcanhares da Queima das Fitas de Coimbra ou de outras Semanas Académicas. Até nas festas universitárias se sentem os efeitos da crise.
Ontem foi dia de descanso até porque o cartaz não era nada por demais. Hoje voltamos ao recinto para ver e ouvir Booka Shade e outros (igualmente entusiasmantes, pelo menos para mim).
Enfim, é o que temos.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O meu primeiro dia com os sem-abrigo...

A noite passada foi a primeira desde que a minha vida é nesta cidade em que me senti realmente útil e realizada. Foi a minha primeira noite a ajudar os sem-abrigo e outras pessoas necessitadas de Lisboa. Mais do que distribuir refeições, distribui palavras e sorrisos. Sempre soube que aquelas pessoas precisavam bastante da nossa ajuda, mas só se entende a realidade quando se está lado a lado com ela.
Chegámos ao Campo das Cebolas e ainda não tínhamos saído do carro quando um dos sem-abrigo chegou perto de nós e nos disse: preciso de roupa. Quando saí do carro perguntou-me se eu era nova ali. Senti na sua expressão que era mais do que uma pessoa que lhe ia dar uma refeição, era uma pessoa, infelizmente das poucas, que se preocupa com ele e os seus "companheiros de rua". Distribuíamos as refeições enquanto eles nos agradeciam e contavam algumas das histórias das suas vidas. No final, ficámos a conversar com um senhor com uma cultura impressionante, que, entre outras coisas, nos ensinou o nome de várias capitais de países, para além de anedotas hilariantes! Custou-me despedir dele e daquele sítio, mas foi bom poder dizer: até para a semana, enquanto apertava a mão simpática do senhor das anedotas. Pelo caminho passámos ainda por uma igreja em cujas escadas estava sentado "o pintor". Enquanto lhe dávamos a comida que ainda tinha restado, ele agradecia e dizia: pode ser mais um, se não fizer falta. Enquanto o nosso colega Paulo foi levar a comida aos senhores que vivem na porta da Igreja, eu a a Ana ficámos a conversar com o pintor. Estava a desenhar uma rede ferroviária para a Angola. É impressionante, gratificante! No meio de uma vida certamente mirabolante e madastra, ainda há quem pense na melhor solução para a rede ferroviária angolana.
Deram-me mais ontem do que eu poderei dar em todos os dias que estiver convosco. Apetece-me dizer obrigado!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

PS ganha terreno

Segundo uma sondagem da Intercampus desta segunda-feira, para a TVI e para o Público, o PSD desce 0,8% e o PS sobe 0,3%, comparando com a última sondagem, realizada na última sexta-feira. Apesar de esta oscilação não ser muito acentuada, há que ter em conta que passaram muito poucos dias entre as duas sondagens (de dia 4 de Maio para dia 8). Relembre-se que neste período deu-se o anúncio das medidas da troika para Portugal por parte dos membros da União Europeia e do FMI. Mas, talvez mais relevante, o anúncio destas medidas por parte de José Sócrates, na passada quinta-feira, que pode ter contribuído para o aumento dos seus apoiantes.
Da primeira sondagem da Intercampus para a segunda, os social-democratas desceram de 37 por cento para 36,2, ao contrário dos socialistas que contaram com uma subida de 34,8 para 35,1 pontos percentuais. Em terceiro lugar da tabela está o CDS-PP, com 10,9 por cento, que, em união com o PSD, ainda avista a possibilidade de uma maioria parlamentar.
Passos Coelho já afirmou que, se o seu partido vencer as eleições legislativas de 5 de Junho, não irá admitir a possibilidade de governar juntamente com o governo de José Sócrates. Estes conflitos entre os dois partidos que disputam o primeiro lugar não me parece, de forma alguma, favorável para o país. É altura de os portugueses estarem unidos, mas parece que a "fome" de poder não deixa os líderes destes partidos verem a realidade. Já a maioria dos portugueses parece discordar de Passos Coelho: segundo a mesma sondagem, a percentagem de portugueses que considera que deve haver uma coligação de partidos é de 55,9.
Mas com esta subida do PS no número de votos na sondagem, quem será que vai dizer "não" a quem em relação à coligação? Até dia 5 de Junho muito pode mudar, e isso irá ser mostrado através das seis sondagens que a Intercampus ainda vai fazer até às eleições.


Fotografia: José Sócrates e Passos Coelho.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Portugal já avista a Final

A Final da Liga Europa já está garantida para, pelo menos, um clube português. Hoje o FC Porto humilhou o Villarreal, ganhando a partida por 5-1, após estar a perder por 1-0 até ao início da segunda parte. O colombiano Falcão foi, sem margem para dúvidas, o homem da noite, tendo autoria em quatro dos cinco golos marcados na baliza do Villarreal e assegurando, quase a 100 por cento, a presença do clube em Dublin. O clube espanhol já não deve conseguir fazer nada para afastar o clube azul e branco português da final. O jogo da segunda mão, no El Madrigal, será, a não ser que aconteça algo absolutamente inesperado, um momento meramente formal. Tudo aponta para que a Taça da Liga Europa seja disputada por dois clubes lusitanos. Só falta agora decidir se o Porto irá "lutar" no relvado contra o Benfica ou contra o Sporting de Braga.
Até agora os encarnados levam vantagem, por 2-1, mas ainda tudo está em aberto. O Sporting de Braga ainda tem uma oportunidade de dar a volta ao resultado, no jogo da segunda mão. Tanto Jorge Jesus como Domingos Paciência acreditam que a sua equipa vai chegar a Dublin, mas a verdade é que só uma delas terá passagem marcada. Há que esperar para ver qual deles terá a honra de acompanhar o FC Porto na viagem até à Irlanda.

domingo, 10 de abril de 2011

Fernando Nobre aceita convite do PSD

Fernando Nobre, depois de ter aceite o convite do PSD para liderar a lista de Lisboa à Assembleia da República e ainda a presidência do Parlamento, caso o partido vença as eleições legislativas, considera que a sua decisão vai ser incompreendida.
Este convite surgiu devido ao facto de Manuela Ferreira Leite ter rejeitado a candidatura por Lisboa. As críticas a esta decisão já começaram no Facebook, mas Fernando Nobre defende-se dizendo que: "o que me determinou foi a convicção de que poderei servir o meu país e ser útil a Portugal". Contudo, refere que não deixa de ser independente, apenas tem a intenção de fazer alguma coisa pelo país e de tentar resolver esta "situação dramática" que o país está a atravessar.
Sabe-se que também os socialistas mostraram interesse em Nobre, apesar de este não ter dado seguimento a esta proposta. Desta forma, Fernando Nobre revela algumas "afinidades" com os sociais-democratas, uma vez que deu preferência ao convite de Passos Coelho, rejeitando o de Sócrates. Isto põe um pouco em causa a sua suposta independência e autonomia.   


Fotografia - Online do Diário de Notícias 

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Homossexualidade antes de Cristo

Uma equipa de arqueólogos checa descobriu o esqueleto de um homem "das cavernas" que, segundo as características, era homossexual ou travesti.
Este homem, descoberto numa escavação perto de Praga, tinha "a cabeça virada a Oeste", estava "deitado sobre o lado esquerdo, sem armas e com vasos ovais ao lado". Estes factos representam a homossexualidade, segundo os costumes da época. O enterro do homem fez-se tendo em conta as tradições reservadas a uma mulher. Segundo Kamila Vesinova é pouco provável que tenha havido um equívoco, uma vez que "as pessoas levavam os funerais muitíssimo a sério", nesta época.
Se isto for, de facto, verdade, este pode mesmo ter sido o primeiro homossexual da história.
Como se vê, a homossexualidade sempre existiu, não é uma moda ou um distúrbio. Mas mesmo depois de milhares de anos as pessoas continuam a encará-la como um fenómeno estranho. Afinal, será a homossexualidade que não é normal? Ou será a mentalidade das pessoas que a discriminam?

Fonte: ciberjunta

domingo, 27 de março de 2011

Resultado das eleições para a presidência do Sporting "não foi totalmente transparente"

O resultado das eleições para a presidência do Sporting Clube de Portugal foram revelados esta madrugada, com vitória para Godinho Lopes, contra todas as expectativas.
A lista C, de Bruno Carvalho (com 32.915 votos), a qual todos esperavam que fosse a eleita, foi surpreendida com um número de votos inferior aos da lista A, de Godinho Lopes (com 33.275 votos), contrariamente ao que tinha sido anuncido momentos antes. Esta reviravolta veio a dar-se devido a uma recontagem na votação.
Este engano na contagem deu origem a confrontos entre os apoiantes das duas listas, chegando mesmo a haver uma tentativa de agressão contra o candidato eleito, à saída do estádio.
A lista de Bruno Carvalho vai pedir uma impugnação das eleições, durante a próxima semana, por considerar que este processo "não foi totalmente transparente".
Há que ter em conta o que cada um dos candidatos mais votados pretendia fazer pelo clube. Godinho Lopes prometeu Domingos Paciência para treinador e ainda um fundo de 100 milhões de euros para o clube de Alvalade. Contudo, uma vez que faz parte da banca, e não esquecendo a situação económica do país, será esta promessa segura? Por outro lado, Bruno Carvalho dizia ter três investidores russos interessados em criar um fundo de 50 milhões de euros para o Sporting comprar jogadores, para além de prometer Van Basten para terinador. Será que "os leões" fizeram a escolha mais segura, numa época tão turbulenta para o clube?

PSD obtém maioria nas sondagens

Se as eleições fossem hoje, segundo uma sondagem da TVI, credibilizada pela Intercampus, o PSD venceria, embora sem maioria absoluta, com 42,2 por cento dos votos, contra os 32,8 do PS.
Para que Passos Coelho fosse o novo primeiro-ministro de Portugal teria de coligar o seu partido com o de Paulo Portas (CDS), obtendo assim um resultado de 50,9 por cento. Hipótese esta que o presidente do PSD já admitiu ser possível. Segundo uma percentagem da Intercampus, 61 por cento dos inquiridos respondeu que está de acordo com a hipótese de uma coligação de partidos.
A maior parte dos inquiridos defende que serão necessárias mais medidas de austeridade, pois aquelas que foram apresentadas pelo Governo com o PEC não são suficientes. No entanto, consideram que o próximo Governo vai ser igual ao liderado por José Sócrates.
É de salientar que as medidas apresentadas por Passos Coelho, nomeadamente o aumento do IVA, não demoveram os portugueses a escolhê-lo, de acordo com a sondagem, como o melhor candidato para governar o país. Recorde-se que, aquando do mais recente aumento do IVA pelo governo, o presidente do PSD veio pedir desculpa aos portugueses por ter concordado com esta medida. Meses depois, é ele próprio que admite tomá-la. Será que é de um líder sem palavra de que Portugal precisa?


Fotografia - publicado no online do jornal I

quarta-feira, 23 de março de 2011

Socias Democratas apresentam resposta ao PEC

O projecto de resolução entregue pelos sociais democratas, para além do preâmbulo, conta apenas com uma alínea: "rejeitar o Programa de Estabilidade e Crescimento 2011/2014, apresentado pelo governo à Assembleia da República". Desta forma, reúne condições para ter uma aprovação unânime por parte dos restantes partidos, uma vez que só sugere a rejeição do PEC.
O documento refere que o Governo "foi responsável pela situação da grave crise económica e social que se criou no país" para além de ter falhado "os objectivos de consolidação orçamental". Os três restantes partidos também apresentaram projectos de resolução contra o PEC, e basta apenas que o PSD e o CDS aprovem um dos documentos e que o BE e o PCP se abstenham, para que o PEC seja, como se espera, chumbado.
A situação está cada vez mais previsível, e as hipóteses de que Portugal não assista a uma queda do Governo são cada vez menores.


Fotografia - publicada no online do Público

terça-feira, 22 de março de 2011

O Governo está em crise

O debate sobre o PEC 4 está marcado para amanhã às 15h. Se o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) for chumbado, José Sócrates apresentará a sua demissão, defendendo que, dessa forma, não tem "condições para estar à frente do Governo".
O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, deu a entender pelas suas declarações que "não deixará o país ficar numa situação pantanosa", no caso de o governo não se demitir, como sugeriu. PSD e CDS estão do mesmo lado, contra o PEC, pelo que apenas o voto a favor de um dos partidos de esquerda (BE ou PCP) podem salvar o governo. No fim-de-semana o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, revelou que irá votar contra o PEC. Contudo ontem anunciou que irá primeiro ouvir os comentários e alternativas do CDS e do BE para tomar uma posição, havendo ainda uma pequena esperança para José Sócrates.
Esta falta de consenso, que está a gerar uma crise política, pode pôr em causa a participação de Portugal no euro e, como recordou Teixeira dos Santos, pode empurrar o país para a ajuda externa, assim como tem insistido José Sócrates nos últimos dias.
As alternativas do Governo já são escassas. Como diz José Sócrates, sem condições para governar tem de ser "devolvida a palavra ao povo". Mas irá mesmo José Sócrates demitir-se?

Fotografia - Rui Oliveira/Global Imagens, publicada no online do Diário de Notícias