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quarta-feira, 11 de maio de 2011

O meu primeiro dia com os sem-abrigo...

A noite passada foi a primeira desde que a minha vida é nesta cidade em que me senti realmente útil e realizada. Foi a minha primeira noite a ajudar os sem-abrigo e outras pessoas necessitadas de Lisboa. Mais do que distribuir refeições, distribui palavras e sorrisos. Sempre soube que aquelas pessoas precisavam bastante da nossa ajuda, mas só se entende a realidade quando se está lado a lado com ela.
Chegámos ao Campo das Cebolas e ainda não tínhamos saído do carro quando um dos sem-abrigo chegou perto de nós e nos disse: preciso de roupa. Quando saí do carro perguntou-me se eu era nova ali. Senti na sua expressão que era mais do que uma pessoa que lhe ia dar uma refeição, era uma pessoa, infelizmente das poucas, que se preocupa com ele e os seus "companheiros de rua". Distribuíamos as refeições enquanto eles nos agradeciam e contavam algumas das histórias das suas vidas. No final, ficámos a conversar com um senhor com uma cultura impressionante, que, entre outras coisas, nos ensinou o nome de várias capitais de países, para além de anedotas hilariantes! Custou-me despedir dele e daquele sítio, mas foi bom poder dizer: até para a semana, enquanto apertava a mão simpática do senhor das anedotas. Pelo caminho passámos ainda por uma igreja em cujas escadas estava sentado "o pintor". Enquanto lhe dávamos a comida que ainda tinha restado, ele agradecia e dizia: pode ser mais um, se não fizer falta. Enquanto o nosso colega Paulo foi levar a comida aos senhores que vivem na porta da Igreja, eu a a Ana ficámos a conversar com o pintor. Estava a desenhar uma rede ferroviária para a Angola. É impressionante, gratificante! No meio de uma vida certamente mirabolante e madastra, ainda há quem pense na melhor solução para a rede ferroviária angolana.
Deram-me mais ontem do que eu poderei dar em todos os dias que estiver convosco. Apetece-me dizer obrigado!

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