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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Concentração de inquilinos contra o aumento das rendas

Sara tem 62 anos, é reformada e vive no concelho da Amadora. Mora na mesma casa há 36 anos e paga actualmente 120 euros de renda. Diz que se a nova lei do arrendamento for mesmo para a frente esta irá subir para quase 400, um valor que não poderá suportar. “Não ganho para comer”, revela, referindo-se à possibilidade de a sua renda aumentar.
É uma das dezenas de inquilinos que esteve no Rossio, em Lisboa, durante a concentração organizada pela Associação de Inquilinos Lisbonenses, no dia 10 de Maio, às 18h30. Esteve lá porque considera a lei proposta pelo governo muito injusta e diz que vai afectar muitos inquilinos, sobretudo os reformados, que em muitos casos têm ainda de ajudar os filhos que estão no desemprego ou a estudar, e os jovens que estão desempregados. Diz que são estes os mais prejudicados em tudo.
Também Romão Lavadinho, presidente da Associação dos Inquilinos Lisbonenses, diz que os mais prejudicados vão ser, como em todas as circunstâncias, os mais fracos – neste caso, os reformados que trabalharam durante 40 ou 50 anos e que agora têm reformas miseráveis de 400 ou 500 euros, os idosos, as pessoas de fracos rendimentos e também as classes médias que estão a ficar no desemprego, a ter os filhos no desemprego também, a suportar as despesas destes, que em alguns casos tiveram de entregar as casas aos bancos e, por isso, de voltar para casa dos pais. Segundo o presidente, esta nova legislação vai prejudicar pelo menos mais de 255 mil famílias, o que corresponde a mais de um milhão de portugueses.
 Albino Figueiredo, um reformado de 71 anos que vive em Campo de Ourique, também decidiu estar presente nesta concentração. Considera que o aumento das rendas vai ser exorbitante e muitas pessoas não vão poder pagar. Recebe 900 euros de reforma e paga 53 euros por mês pela casa onde vive. Diz que não sabe qual vai ser o aumento imposto à sua renda, mas que se for muito grande poderá ter de sair de Lisboa. À sua reforma junta-se a da sua mulher, mas tem de ajudar a filha que está desempregada e o neto que, apesar de licenciado, também não consegue arranjar emprego. Desta forma, torna-se muito difícil pagar um valor mais elevado de renda.
Diz que é muito injusto que as pessoas com mais de 65 anos ou com um nível de incapacidade superior a 60 por cento também sejam abrangidas pelas actualizações da renda, apesar de a possibilidade de despejo não lhes ser aplicada, até porque tem uma deficiência de 60 por cento e não vai ter nenhum benefício por isso. O presidente da AIL vai ainda mais além dizendo que a ministra não diz a verdade quando refere que essas pessoas não vão ser despejadas. Segundo ele, se essas pessoas não puderem pagar o valor depois do aumento vão para a rua passados três meses, como qualquer outro inquilino.
De entre as medidas que foram propostas para esta nova lei do arrendamento, Sara não concorda com nenhuma. “Não sei qual, neste momento, é justa, porque todas as medidas que estão a sair deste governo são injustas”, afirma. Mas também não considera que deve ficar tudo como está. Diz que a solução podem ser as propostas dos partidos de esquerda. Albino pensa que a solução é aumentar a renda conforme a inflação, o que resolveria o maior problema que, para ele, tem esta nova lei: a forma como vai passar a ser feita a actualização das rendas.
Romão Lavadinho diz que não há nenhuma medida razoável. A sua sugestão é que se prepare uma proposta para completar e melhorar a lei actual. Essa proposta deveria ser mais a pensar nos inquilinos mas também nos pequenos proprietários, a quem vão retirar o que construíram com o esforço de longos anos.
 Apesar das dúvidas de ambos os inquilinos em relação a poderem ainda ser feitas alterações à nova lei por parte do governo, no sentido de não prejudicar tanto os inquilinos, este tipo de manifestações faz todo o sentido. Sara refere que “este governo é cínico e isto não lhes toca”, mas admite que estará em todas as manifestações que venham a ser organizadas. Albino partilha a mesma opinião: “a gente reclama mas eles metem as leis cá fora”. Mas como refere o presidente da AIL “quando não se faz nada os governos fazem tudo o que querem, quando se faz alguma coisa vamos ver se conseguimos alcançar os nossos objectivos”.
Acabou o seu discurso que ocorreu logo no início desta concentração agendando uma próxima manifestação para o dia da votação da nova lei do arrendamento, na Assembleia da República. Tanto Sara como Albino garantem que vão estar presentes.

Trabalho de Ateliê de Jornalismo de Imprensa.

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