Há
cada vez mais estudantes do ensino superior a quem as bolsas de estudo são rejeitadas
e que por isso atravessam dificuldades para poderem continuar a estudar. Alguns
não têm outra saída senão abandonar os estudos.
De
acordo com dados da PORDATA e da Revista VISÃO (nº993), o número de bolseiros
do ensino superior desceu de 74 935 no ano lectivo 2009/2010 para 56 799 no ano
passado e para 45 523 neste ano (quando faltava analisar 10% dos pedidos).
Estes dados traduzem-se num decréscimo de 29 412 atribuições de bolsa de estudo
em apenas dois anos.
Este
ano candidataram-se 96 767 alunos a bolsa, sendo que 48% das suas candidaturas
foram recusadas, mas tendo em conta que ainda falta analisar 10 mil processos
este valor, que representa um aumento de 2% face ao ano passado, pode ainda vir
a subir.
| Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa |
Partindo
das declarações de quatro estudantes da Faculdade de Letras da UL percebemos
que há alunos que têm de lutar pelos seus próprios meios, quando vêem o apoio
estatal ser-lhes rejeitado.
Dos
quatro alunos entrevistados, foi rejeitada bolsa a dois, que solucionaram o
problema através de um empréstimo bancário ou de um ano a trabalhar, sem
estudar, para juntar dinheiro. O part-time é uma solução também muito
procurada, variando apenas a altura em que exercem o trabalho – antes de entrar
para a faculdade, durante os verões ou até mesmo durante o período de aulas.
Numa altura em que as ajudas estatais são cada vez menos, os estudantes vêm-se
obrigados a fazer alguns esforços para conseguirem terminar o curso. Apesar das
dificuldades, têm conseguido manter-se a estudar, mas nem todos o conseguem.
Segundo
um artigo do site esquerda.net, “De que lado estão os Reitores Portugueses?”, o
Estado apenas financia 66% do ensino superior, muito abaixo da média de 79% da
União Europeia, o que para além de provocar grandes dificuldades económicas
também leva a que muitos alunos cancelem a matrícula – desde o início deste ano
já desistiram mais de 6 mil estudantes.
Apesar
dos dados que indicam a diminuição de alunos a usufruir de apoio estatal, o
Secretário de Estado do Ensino Superior, João Queiró, assegura que este ano
houve uma diminuição das desistências do ensino superior face ao ano passado.
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