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segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Estado está a cortar nas ajudas aos estudantes

Há cada vez mais estudantes do ensino superior a quem as bolsas de estudo são rejeitadas e que por isso atravessam dificuldades para poderem continuar a estudar. Alguns não têm outra saída senão abandonar os estudos.
De acordo com dados da PORDATA e da Revista VISÃO (nº993), o número de bolseiros do ensino superior desceu de 74 935 no ano lectivo 2009/2010 para 56 799 no ano passado e para 45 523 neste ano (quando faltava analisar 10% dos pedidos). Estes dados traduzem-se num decréscimo de 29 412 atribuições de bolsa de estudo em apenas dois anos.
Este ano candidataram-se 96 767 alunos a bolsa, sendo que 48% das suas candidaturas foram recusadas, mas tendo em conta que ainda falta analisar 10 mil processos este valor, que representa um aumento de 2% face ao ano passado, pode ainda vir a subir.
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
No caso da Universidade de Lisboa (UL) dos cerca de 5 mil candidatos apenas 1 958 recebeu bolsa, em contraste com os 3 398 bolseiros em 2009. Ainda há, em Março, 286 alunos que não receberam resposta às candidaturas, nesta instituição.
Partindo das declarações de quatro estudantes da Faculdade de Letras da UL percebemos que há alunos que têm de lutar pelos seus próprios meios, quando vêem o apoio estatal ser-lhes rejeitado.
Dos quatro alunos entrevistados, foi rejeitada bolsa a dois, que solucionaram o problema através de um empréstimo bancário ou de um ano a trabalhar, sem estudar, para juntar dinheiro. O part-time é uma solução também muito procurada, variando apenas a altura em que exercem o trabalho – antes de entrar para a faculdade, durante os verões ou até mesmo durante o período de aulas. Numa altura em que as ajudas estatais são cada vez menos, os estudantes vêm-se obrigados a fazer alguns esforços para conseguirem terminar o curso. Apesar das dificuldades, têm conseguido manter-se a estudar, mas nem todos o conseguem.
Segundo um artigo do site esquerda.net, “De que lado estão os Reitores Portugueses?”, o Estado apenas financia 66% do ensino superior, muito abaixo da média de 79% da União Europeia, o que para além de provocar grandes dificuldades económicas também leva a que muitos alunos cancelem a matrícula – desde o início deste ano já desistiram mais de 6 mil estudantes.  
Apesar dos dados que indicam a diminuição de alunos a usufruir de apoio estatal, o Secretário de Estado do Ensino Superior, João Queiró, assegura que este ano houve uma diminuição das desistências do ensino superior face ao ano passado.

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