"Tenho pena, apenas. Tenho pena de quem não entende a beleza de uma tourada ou o "silêncio poético e misterioso, um silêncio que estremece" do toureio de José Tomas ("El País"), de quem nunca cheirou a esteva e o orvalho de uma manhã de caça, de quem nunca perdeu horas sentado nas margens de rio à espera que o peixe morda o anzol, de quem vai ao circo e não quer ver os leões do Paquito Cardinslli. Tenho pena, mas não posso fazer nada, que não isto: lutar para que não passem."
- Miguel Sousa Tavares.
(excerto da crónica sobre o projecto de lei do Bloco de Esquerda)
E eu tenho pena que uma pessoa reconhecida e estimada no nosso país tente descrever com palavras bonitas as maiores atrocidades da humanindade.
O que este texto tenta demonstrar é que, em primeiro lugar, as coisas que nos dão prazer são aquelas que envolvem dor e tortura a outros e que, em segundo lugar, aqueles que não "desfrutam" destes momentos não sabem sequer o que são as coisas bonitas da vida.
Eu sei que sei o que são as coisas bonitas da vida quando me choca assistir ao sofrimento dos outros: um animal ser morto numa manhã de caça, uma bandarilha ser espetada na carne de um touro a sangue frio, um leão a fazer grandes números no circo e que no final irá para a jaula onde passará o resto dos seus dias.
Há pessoas como Miguel Sousa Tavares que irão lutar "para que não passem", mas felizmente também há muitas pessoas que lutam cada vez mais e mais para que passem. E as pessoas já estão a tomar consciência de que estas monstruosidades não fazem sentido em nenhuma parte do mundo, muito menos numa sociedade desenvolvida e esclarecida como a nossa. E tudo isto vai passar, tenho a certeza.
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